domingo, 29 de maio de 2011

As coisas não acabam até que tenham terminado


A frase do título desse post pode parecer óbvia aos olhos de muitos, mas acho que a frase dita pelo folclórico ex-jogador de beisebol Yogi Berra é a que melhor resume os acontecidos de hoje na tradicionalíssima prova das 500 milhas de Indianápolis.

Pois bem, o americano J.R. Hildenbrand liderava a prova no início da derradeira 200ª volta da corrida, algumas voltas antes ele havia herdado a liderança do belga Bertrand Baguette, que fora obrigado a parar para o reabastecimento, já que seu combustível não seria suficiente para que ele terminasse as 200 voltas. Na 200ª volta, já estava tudo preparado para a festa do jovem Hildenbrand, boa parte das quase 400mil pessoas presentes ao evento já vibravam com a primeira vitória americana na clássica prova desde 2006, a equipe se preparava para uma vitória há muito tempo não comemorada, e Hildenbrand estava há meras 4 curvas, 2,5 milhas de se consagrar como vencedor no templo sagrado da Brickyard, parecia pouco para quem havia percorrido 199 voltas, 497,5 milhas e contornado 796 curvas, pois é, apenas parecia...

Hildenbrand passou bem a 1ª curva, também a 2ª, fez rápida e seguramente a reta oposta do mítico oval de Indy, contornou a 3ª curva, tinha 3 segundos de vantagem para o 2º colocado, até que chegou a curva 4, a que levava para a reta dos boxes e a bandeirada final. Na entrada da curva 4, Hildendbrand encontrou um retardatário, e na ansia de passá-lo e ganhar de uma vez a corrida mais importante do planeta, saiu do traçado, e subiu pela inclinação da curva, subiu, subiu, até se chocar contra o muro da pista e destruir a parte direita do seu carro #4.

Ali, na curva 4 de Indianápolis, com a visão perfeita do fiscal que daria a quadriculada, Hildenbrand jogava a vitória mais importante da sua vida fora, o jovem americano ainda tentou pisar fundo e levar seu carro avariado até a linha de chegada na dianteira da prova, mas não dava, os estragos não permitiam que ele andasse rápido, e enquanto ele se arrastava, à 180m da chegada de uma prova de mais de 800km de duração, o escocês Dan Wheldon viu a vitória cair no seu colo, sendo ele o 1º à cruzar a histórica linha de chegada que é feita dos tijolos da pista original de Indy.

Depois da épica chegada, o que se viu foram lágrimas, tanto de Hildebrand, que tinha o triunfo na suas mãos à uma curva do fim, quanto de Wheldon, um excelente piloto, que foi relegado à uma equipe que não tem grana para correr sequer a temporada inteira, e que nem de longe era favorito para vencer, apesar de já ter um triunfo na Brickyard (2005).

Enquanto um vivia o drama de uma derrota trágica, e outro a felicidade de uma vitória inesperada, todos os 400mil espectadores que estavam no autódromo de Indy e todas as milhões de pessoas que viram a corrida mundo afora tiveram a certeza de ter presenciado algo épico (exatamente no 100º aniversário da prova) além de comprovarem mais uma vez a veracidade da frase lendária de Yogi Berra, por mais que pareça que algo esteja acabado, "as coisas não acabam até que tenham terminado".

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