



Nesta mesma época, há 17 anos atrás, a F-1 vivia o fim de semana mais macabro da sua história, em que uma sequencia de erros e acidentes fizeram o GP de San Marino de 1994 ser lembrado mais pelo número de mortos e feridos daquela prova, do que pelo seu vencedor e que culminariam na morte de um dos mais brilhantes e carismáticos pilotos da história da categoria, o brasileiro Ayrton Senna.
Tudo começou, na sexta (29/04), quando Rubens Barrichello (1ª foto), no seu 2º ano de F-1, decolou com sua Jordan na curva Variante Bassa com uma velocidade de 225 km/h. O carro do brasileiro se chocou com a barreira de pneus e capotou diversas vezes, deixando Barrichello inconsciente. Na sequencia, o piloto foi levado ao Hospital Maggiore, em Bolonha, onde foram detectadas algumas fraturas, que deixaram Barrichello fora de combate naquele GP. Os efeitos da batida podem não ter sido grandes no piloto, mas as imagens foram assustadoras e deixaram o mundo da F-1 alerta aos perigos daquele esporte.
No sábado (30/04) iria acontecer o treino qualificatório, todos esperavam uma boa briga entre o então jovem Michael Schumacher e o tricampeão Ayrton Senna pela pole. Schummy tinha vencido as 2 primeiras provas do ano, e Senna não havia sequer pontuado. O treino estava no seu começo e tinha Senna na frente, com Schumacher em segundo, quando a transmissão da TV cortou subitamente para uma imagem de um carro batendo violentamente na curva Villeneuve, era Roland Ratzenberger (3ª foto), que tentava se qualificar para a corrida com seu Simtek - naquela época alguns carros ficavam de fora do grid por causa do limite de 26 carros por corrida. Ratzenberger precisava entrar no grid, já que tinha um contrato de 5 corridas com a pequena Simtek, porém um pedaço de carro se soltou de seu monoposto, jogando Ratzenberger direto contra o muro da Villeneuve à 306 km/h. As imagens que se viram na sequencia foram perturbadoras, o carro estava destruído e o corpo do austríaco estava imóvel, com o seu capacete ensaguentado. As equipes médicas tentavam a todo custo reanimar o piloto sem sucesso, com isso Ratzenberger foi levado ao Hospital Maggiore, onde meia hora fora declarado morto. Enquanto isso, na pista, Ayrton Senna foi checar com os fiscais a condição da pista no local da batida, o treino foi reiniciado na sequencia, mas pouca gente voltou à pista, mantendo Senna com a pole e Scummy em 2º. Porém, naquele acidente está uma das controvérsias daquele fim de semana, quase todos tinham certeza de que Ratzenberger morreu na hora, algo que cancelaria imediatamente a corrida, segundo a legislação italiana, porém Bernie Ecclestone decidiu esconder esse fato, tudo para evitar o prejuízo que o cancelamento da corrida causaria aos cofres da FIA - e ao de Ecclestone também.
O fim de sábado em Ímola não foi nada feliz, afinal todos tinham visto a 1ª morte de um piloto num fim de semana de corrida em 12 anos. Gerhard Berger tinha dado uma entrevista consternado à TV austríaca, de certa forma prevendo a fatalidade do dia seguinte, a equipe Simtek não queria correr à nenhum custo - só o fez porque foi obrigada pela FIA - , mas o mais afetado pela tragédia, era Ayrton Senna. O brasileiro se reuniu para tentar refazer de vez a GPDA (Associação do Pilotos de GPs), para discutir a segurança das pistas e também teve uma conversa emocionada com o Dr. Sid Watkins (médico oficial da FIA). O médico relata que sugeriu a Senna que ele abandonasse o mundo da F-1, já que era famoso e consagrado, porém o brasileiro teria dito que não podia pois: "há certas coisas das quais nós não temos nenhum controle. Eu não posso deixar, eu tenho que ir adiante".
No domingo (01/05), a consternação de Senna com os eventos daquele GP eram latentes, na parte da manhã numa entrevista à TV francesa TF1, onde o recém-aposentado (e arquirrival de Senna) Alain Prost era comentarista, Ayrton declarou surpreendemente: "Alain, eu sinto tua falta". Antes da largada, Aytron tinha dado três longas voltas de aquecimento de pneus, ao contrário das duas que dava costumeiramente, e todas as vezes em que o brasileiro era focalizado pelas câmeras, sua feição estava nitidamente abatida e preocupada.
Era chegado o momento da largada, e quando ela aconteceu, o carro do alemão J.J Lehto ficou parado no grid, onde poucos instantes depois foi atingido violentamente pela Lótus de Pedro Lamy. Os dois pilotos não sofreram nada, mas quatro pessoas na arquibancada foram feridas, já que vários pedaços dos carros acidentados foram lançados para o público. Como resultado do acidente houve a entrada do Safety Car, que permanceu na pista por seis voltas.
Nesse tempo, Senna procurava de qualquer jeito aquecer os pneus da sua notavelmente instável Williams. Na relargada, Senna e Schumacher (nessa ordem) rapidamente abriram uma larga vantagem para o resto do pelotão. Na 7ª volta, o alemão perseguia o brasileiro, quando na rápida curva Tamburello, Senna passou reto, se chocando contra o muro à 210 km/h (algo que aconteceu devido à uma quebra da má montada suspensão da sua Williams #2). De início, parecia que o acidente não era tão grave, pois Senna chegou a mexer sua cabeça dentro do cockpit, porém a demora dos fiscais em chegar perto do carro, o acionamento da bandeira vermelha e a falta de outros movimentos do corpo do piloto, provaram o contrário. O atendimento ao brasileiro só começou quando o Dr. Watkins chegou ao local, a partir daí longos minutos de tensão tomaram conta do Autódromo Enzo e Dino Ferrari. Senna era desesperadamente atendido, e tudo ficou pior quando o capacete dele foi retirado e uma enorme poça de sangue da sua cabeça tomou conta da área de escape da Tamburello. O fato era resultado de uma peça da suspensão que perfurou a viseira do capacete e afundou o crânio de Senna, causando lesões gravíssimas, e que resultaram na morte do brasileiro.
Foi com a imagem perturbadora do chão ensaguentado (2ª foto), que todos perceberam que Senna não estava nada bem. Galvão Bueno na transmissão, teve que se controlar para não chorar copiosamente no ar e um silêncio ensurdecedor tomou conta do autódromo. Em seguida, Senna foi levado de helicóptero ao Hospital Maggiore, de onde as informações que chegavam era cada vez piores, até quando às 18h40 na Itália (13h40 no Brasil), Senna foi declarado morto. Roberto Cabrini, foi o responsável por dar a informação na TV Globo, e nesse anúncio fez a frase que marcou a sua carreira jornalística, dizendo: "Ayrton Senna morreu, uma notícia que nós nunca gostaríamos de dar". Porém, as informações de Bolonha deram conta que Senna morreu às 14h17 (Itália), sugerindo que a fatalidade ocorreu ainda na pista, outro fato que vai contra Bernie Ecclestone, que mais uma vez teria escondido uma morte em Ímola, para driblar a lei italiana e garantir a continuação da prova.
A corrida foi reiniciada e terminou com a vitória de Michael Schumacher, que seria campeão do ano 1994. Após a prova, Schummy aparece feliz ao comemorar a sua vitória, algo que não deixou a imagem de piloto muito boa em relação aos fãs da F-1. Entretanto, outro acidente deixou feridos após a fatalidade de Senna. Um pneu da Minardi de Michele Alboreto se soltou do carro na saída do pit lane atingindo 4 mecânicos que também ficaram feridos.
A morte de Senna deixou carentes milhões de fãs brasileiros que choraram sua morte exaustivamente, nos dias que se seguiram a tragédia. Como resultado do macabro fim de semana em Ímola 94, a FIA investiu pesado em segurança, tanto dos pilotos, quanto das pistas, algo que deu resultado, já que a morte de Senna foi a última vista na F-1 até o momento. Em relação aos três acidentes principais daqueles dias (o de Barrichello, Ratzenberger e Senna), coincidência ou não, apenas aquele que bateu numa proteção de pneus sobreviveu, que foi Barrichello. Agora, o que todos os fãs da F-1 esperam, é que jamais um fim de semana tão sinistro quanto o de Ímola 94 se repita.